O lançamento do livro aconteceu nas dependências do Museu Municipal Dr. Júlio Sanderson, no dia 6 de dezembro de 2014, às 20:00h e contou com a presença do prefeito Joaquim Mateus de Sene, do vice Dr. Sávio Maciel, do prefeito de Aparecida, Márcio Siqueira; do secretário de Educação e Cultura, Marco Antônio dos Santos, além da sociedade aiuruocana e também participantes de outras cidades vizinhas. O evento foi abrilhantado com a banda Eternos Românticos e o maestro Odair Kobel.
A história da primeira povoação colonial do Sul de Minas Gerais foi retratada no livro “Ayuruoca nos Setecentos”. A obra, escrita pelo historiador José Mauro Maciel, religioso da Congregação do Santíssimo Redentor (CSSR), relata a história da cidade mineira.
Para a publicação o autor pesquisou 123 documentos manuscritos dos anos de 1710 a 1800 e ainda 31 obras impressas do período de 1699 a 2009. O historiador falou sobre a grande herança histórico-cultural aiuruocana, com destaque para a presença dos bandeirantes, Ordenanças Militares, atuação da Igreja Católica, questões jurídicas, culturas afros e indígenas e ainda a expansão a partir deste núcleo de povoação nas Minas.
Segundo José Mauro Maciel, “o que me motivou a escrever essa história foram as inúmeras informações espalhadas, sobretudo nos arquivos e bibliografias, que fazem referências à minha terra natal. As pesquisas foram realizadas ao longo de 20 anos, com os quais passei “catando agulhas em palheiros”. Por isso, nesta publicação elenquei alguns pontos chaves e que os considero importantes, tais como os bandeirantes (1687/1694), as Ordenanças Militares: de Pé (1708) e a Cavalaria (1715); a Igreja Católica (1717), as questões jurídicas (1714), as culturas afros (1710) e indígenas (1726) e a expansão a partir deste núcleo de Povoação nas Minas”.
Na introdução do livro o autor aponta sobre o nosso legado histórico grandioso e a necessidade de nossa tomada de consciência com relação ao mesmo, pois “a nossa história é mãe e mestra” e com ela podemos realizar grandes e boas transformações.
“Nós sabemos que o exercício das sãs tradições alimenta a Cultura e esta nos revela a História. Portanto, o futuro será melhor quando nos conscientizarmos do presente, descortinando possibilidades e aprendendo com os antepassados. Sejamos otimistas, práticos e esperançosos, pessoas de ação! Afinal, o que temos a aprender com a História da Aiuruoca?”.
O evento foi de grande importância para o município de Aiuruoca, fazendo ressurgir em cada um de nós a curiosidade sobre nossa própria história. Nossa tradição cultural vai se sedimentando a cada contribuição dos nossos cidadãos que se dedicam à produção de conhecimento e serviços, e o Museu Municipal Dr. Júlio Sanderson se firma como um importante Ponto de Cultura.
Marco Antônio dos Santos
A escritora e historiadora, genealogista e biógrafa Rita Elisa Seda, grafou suas impressões sobre a obra.
“Para que venha à luz verdades que até então estavam guardadas sob sigilosa escuridão são necessários: tempo, olhos, astúcia, sabedoria, coragem e determinação, para vasculhar arquivos públicos e privados. O pesquisador precisa ler periódicos, correspondências, publicações, cartas cartográficas, livros Tombos e registros de: batizados, casamentos e óbitos. No encalço da história precisa também entender paleografia portuguesa. Todas essas qualidades estão ligadas ao pesquisador José Mauro Maciel que há anos se debruça à leitura de documentos. Com a maestria de quem comanda uma orquestra de informações ele criou a sinfonia: “Ayuruoca nos Setecentos: Nossa Terra, Nosso Ouro, Nossa Gente”, afinada ao século XVIII cuja partitura é um caderno pautado onde constam compilações de documentos importantíssimos para a história nacional. Vi esse caderno e digo que tem o primor na grafia e principalmente no conteúdo. Vou pontuar do livro “Ayuruoca nos Setecentos” algumas passagens que me levaram ao maior conhecimento da história mineira.
(...) A geografia da região de Aiuruoca era propícia em facilitar as lavras de ouro clandestinas e para a fuga dos lavradores que seguiam em picadas no meio da mata, para não pagar o quinto.
A Capitania de São Paulo queria expandir seu território e por isso disputava as terras sul-mineiras, atrasando a implantação das instalações de dioceses. O acordo entre a igreja e novas dioceses estipulava pagamento de dízimo a ‘Deus Nosso Senhor’ para serem construídas capelas e igrejas. Porém com o atraso, por causa da briga territorial e inclusive eclesiástica, as edificações religiosas tinham de ser feitas por mutirões de fiéis, através de doações e leilões.
Interessante a observação que o pesquisador Maciel faz nos trazendo à realidade de que os primeiros Livros de Registros (Civis e Eclesiásticos) da região de Aiuruoca estão desaparecidos. Eles são importantíssimos para reconstrução do alicerce da história local. Devia ter uma lei que proibisse a retenção de documentos primários, seja em arquivos públicos ou privados. Dentro da cronologia historiográfica pesquisada, Maciel encontrou evidências históricas de que Aiuruoca foi a ‘célula mater’ do Sul de Minas.
O governador de Minas, D. Lourenço de Almeida, informou por carta (1724) a D. João V, rei de Portugal a respeito de ambiciosos mineradores na região de Ayuruoca que formavam grupos e cometiam desordens chegando mesmo à morte, por causa do ouro. Ficavam pouco tempo e do mesmo jeito que chegam partiam de uma hora para outra, levando ouro sem pagar o quinto real. Uma das razões do Conselho Ultramarino proibir a abertura de novos caminhos ou picadas na região.
O ouro trazia benefícios e malefícios, para o sul de Minas. Houve até mesmo disputas por Ayuruoca entre as Capitanias de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
GENTE - Em “Ayuruoca nos Setecentos” o historiador J. Mauro Maciel nos conduz aos primórdios da Serra do Papagaio onde ayuruãs, guanhãs, índios velozes, deram passagem para que os portugueses adentrassem à região onde havia o rio dos Guanhanhans.
No início do século XVIII o governador de Minas relatou os excessivos trabalhos dos escravos e seu parecer de que eles deveriam guardar os dias de festa, sendo poupados do trabalho, indicando que os senhores abusavam da humildade dos escravos. Observou que os religiosos deveriam dominar a língua angolana e mina, para se comunicarem melhor com os africanos.
Singular era a maneira que os fiéis, deveriam se comportar durante as festividades religiosas, ainda mais durante a Semana Santa, com ordem eclesiástica, onde o bispo faz referência ao pagamento de dízimos (para manutenção das Comunidades), como participar das missas e festas.
Interessante a transcrição de um fragmento da Carta Pastoral onde consta o ofício de parteiras. Para elas foram recomendadas o ato de serem peritas na forma de batizar, sob a pena de excomunhão, com direito à certidão para exercerem tal ofício.
Esta é a mínima porcentagem do conteúdo de “Ayuruoca nos Setecentos”, livro que veio para balançar os alicerces da História de Minas Gerais. Mostrando, assim, que temos muito que aprender com historiadores dedicados iguais ao pesquisador José Mauro Maciel, que venham seus outros livros”.
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