Por Maria Rosa
Nascido João Rosa Pereira em 24 de junho de 1895, em São tome das Letras. Com seus pais, Antônio Rosa Pereira e Maria Gabriela da Conceição, veio, ainda criança, para Aiuruoca, precisamente para a Fazenda “Ponte Nova”. Com a família, veio também a de seus tios – João e Mariana. Residiram primeiro juntos; depois, resolveram separar a sociedade nas terras - Antônio Rosa vendeu ao irmão a sua parte e comprou o sitio das vassouras, que fazia divisa com a Ponte Nova. Ali, o menino Dico passou sua infância e adolescência, ao lado dos irmãos e perto dos parentes e amigos. Logo perdeu o pai e sua mãe se viu sozinha para criar e encaminhar nove filhos: José, João (Dico), Antônio, Cornélio, Olívia, Ursulina, Mariana e Rita. E pra isso, contou com a ajuda dos mais velhos Zeca, Dico e Tonho. As moças mantinham contato com os familiares de Cruzília, que vinham visitá-las sempre, nas Vassouras. E foram se casando com os primos. Deste modo, a família acabou se dividindo entre duas cidades: as moças foram todas para fazendas em Cruzília, enquanto os rapazes permaneceram com a mãe e casaram-se com moças de Aiuruoca. Naquele tempo, as crianças das famílias rurais eram alfabetizadas por professores particulares, que ficavam nas sedes das fazendas. Foi assim que Dico e seus irmãos aprenderam as primeiras letras. À época, bastava saber apenas as preliminares de aritmética e da leitura e estavam prontos para a vida rural. Moço, lutador, Dico logo adquiriu um pedaço de chão. Casou-se com Alzira Fernandes Maciel, filha de Tomás Joaquim Maciel e sua esposa Honestália. Vieram residir na pequena chácara, perto da cidade. Era o dia 21 de novembro de 1928 quando o jovem casal se uniu e fez a viagem, a cavalo, para a pequena casa de taipa, na Chácara. Logo plantaram um pomar, uma horta e um bonito jardim. No tempo certo, os pessegueiros cobriam de rosa o laranjal. Os filhos foram chegando: Maria, Ilka, Julieta, José, João, Siomara e Maria José. Cresceram ali, brincando juntos nas cachoeirinhas, correndo pelos campos com os filhos dos agregados. Depois estudaram nas escolas da cidade e de fora – em Cruzília e Belo Horizonte. Dico se levantava às quatro da manhã e ia a cavalo para suas propriedades – já eram três: Fragalha, Cachoeira e Portão, onde plantava roças e criava gado. Prosperou o suficiente para dar uma vida digna à sua família. Era admirado por todos, e com seus amigos e pares tinha ares de líder. Mas a vida passou. E em 30 de maio de 1971, fez sua grande viagem. Partiu como viveu: abraçado à terra que tanto amara. Virou eternidade.