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Andrelândia - Notícias
31/10/2013 16h31

O Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio

A estrada de acesso ao Parque não é pavimentada e o último quilômetro compreende um aclive bastante acentuado.

O Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio está situado na serra de mesmo nome, localizada no município de Andrelândia com uma área é de aproximadamente 12,00 ha. (doze hectares), com altitudes variando entre 1.000 e 1.200m. A estrada de acesso ao Parque não é pavimentada e o último quilômetro compreende um aclive bastante acentuado, mas que é facilmente superado por carros com tração 4x4 ou tração traseira.

As pinturas rupestres

No sítio arqueológico Toca do Índio, situado na Serra está o mais espetacular conjunto de pinturas rupestres conhecido no Sul de Minas Gerais. São mais de 500 figuras geométricas e zoomorfas, dispostas ao longo de cerca de 50 metros de um enorme paredão rochoso, em um local abrigado da chuva e junto a uma paisagem deslumbrante.

Estas pinturas foram as primeiras representantes conhecidas da Tradição São Francisco no Sul de Minas Gerais anteriormente esta tradição só era conhecida no Norte do estado, junto ao Rio São Francisco e há evidências de terem sido feitas em pelo menos três épocas diferentes. O local tem ainda intrusões da pouco conhecida Tradição Astronômica.

A datação direta de pinturas rupestres ainda é um grande desafio para a Arqueologia em todo o mundo. No entanto, os testes feitos com Carbono-14 em outros vestígios encontrados junto ao paredão das pinturas indicou mais de 3.000 anos de idade, o que reforça a importância do sítio. E a interpretação do significado das pinturas é um desafio ainda maior, pois a Arqueologia não dispõe de informações para tal. Assim, podemos contemplar e admirar as pinturas, mas estamos longe de compreendê-las.

As pinturas rupestres da Serra de Santo Antônio constituem o mais importante patrimônio cultural e estamos considerando aqui o patrimônio artístico, histórico e pré-histórico de uma vasta área de Minas Gerais. E a Natureza, como que ciente do seu valor, cuidou de conservá-las em estado razoável por dezenas de séculos.

Infelizmente, em poucas décadas de visitação as pinturas estavam sendo rapidamente destruídas. Fogueiras acesas pelos visitantes enegreciam o paredão e os próprios registros rupestres; a retirada de lembrancinhas, ou seja, lascas do paredão contendo pinturas, causava destruição irremediável; o desmatamento da vegetação contígua ao abrigo expunha as pinturas ao sol. E ainda mais absurdo, alguns escreviam o próprio nome sobre as pinturas.

Se nada fosse feito, em breve muito pouco restaria das pinturas ou mesmo nada. Fazendo uma analogia, é como se as imagens de Aleijadinho em Congonhas do Campo estivessem abandonadas, à mercê dos visitantes e vândalos. Com um agravante: se Aleijadinho e suas obras são bastante conhecidos, as pinturas da Serra de Santo Antônio ainda constituem um total enigma.

Era fundamental o desenvolvimento de um projeto de preservação, para que as futuras gerações possam conhecer o riquíssimo patrimônio cultural existente na Serra de Santo Antônio. E que, dotadas de novos conhecimentos e recursos tecnológicos, pudessem talvez até entendê-lo e interpretá-lo.

Foram essas as razões que fizeram o NPA assumir a responsabilidade de proteger o patrimônio arqueológico local, salvando-o da destruição.

Aspecto Ambiental

A região de Andrelândia é de colonização antiga para os padrões brasileiros. Os índios, que viviam aos milhares na região em grandes aldeias, foram dizimados (provavelmente durante o ciclo do ouro) a ponto de não se encontrarem pessoas com traços fisionômicos indígenas e de haver poucos vestígios de palavras de origem tupi-gurani na toponímia da região.

O solo, ácido e com pouca matéria orgânica e o clima seco não favorecem o crescimento rápido da vegetação. Na região da Serra de Santo Antônio existem inúmeras nascentes, abrigos rochosos e capoeiras (remanescentes de Mata Atlântica) que servem de refúgio para animais silvestres, de forma que a criação de uma Unidade de Conservação, com o objetivo de colocar a salvo esses valores ambientais, inclusive para a promoção da indispensável educação ambiental seria fundamental.

FLORA

Segundo consta do Atlas para a Conservação da Biodiversidade de Minas Gerais, da Fundação Biodiversitas (Belo Horizonte, 2005), a área onde se encontra situado o Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio (Alto Rio Grande/Serra da Mantiqueira) é considerada como prioritária para a conservação da flora no Estado, sendo extremamente relevante, ainda, a proteção da matriz abiótica da região, representada pelo relevo, solo e água, que exercem papel essencial na preservação da biodiversidade local.

O NPA já promoveu o reflorestamento de aproximadamente 4,00 ha. (quatro hectares) da área do Parque fazendo o plantio de mais de cinco mil mudas de espécies da flora nativa tais como ipês, jacarandás, angicos, quaresmeiras, araucárias, cedros, candeias etc. Foi também implantado um viveiro para produção de mudas na própria reserva, viabilizando o aumento da ação preservacionista na região do Parque.

FAUNA

Após o início dos trabalhos de implantação do Parque Arqueológico percebe-se claramente o aumento de espécimes da fauna silvestre na região, que está mais protegida.

Dentre os animais existentes na região do Parque Arqueológico, pode-se citar:Lobo Guará, Ouriço, Gambá, Mico-Estrela, Bugio, Jaguatirica, Suçuarana, Tatu, Veado Campeiro, Pintassilgo, Canário Chapinha, Gavião Cará-cará, Coleirinha, Coruja, Bem-te-vi, João-de-barro, Seriema, Jacu, Tucano, Cascavel, Urutu, Jararaca, Coral, Calango, Lagarto Teiú.

Principais atrações

Pinturas rupestres

Localizadas na base esquerda do paredão rochoso, as pinturas rupestres constituem a maior atração do Parque.

Gruta dos Novatos

O primeiro desafio para quem quer visitar as pinturas rupestres. Trata-se de uma fenda rochosa com cerca de 12 metros de extensão por onde o turista aventureiro não pode deixar de passar.

Gruta do Lagarto

Beleza e aventura em seu interior.

Pedra dos Amores

Trata-se de um dos pontos mais altos dentro da área do Parque (1.212m de altitude) de onde se descortina uma maravilhosa vista da região.

Pedra do Gavião

Mirante rochoso de onde se pode observar toda a área do Parque. Está a 1.150m de altitude.

Itapira

Interessante formação rochosa situada no limite sudoeste do Parque. Em linguagem indígena, Itapira significa “pedra empinada”.

Pico

Após uma emocionante escalada por paredões rochosos, o turista sente-se recompensado pela magnífica paisagem das Minas Gerais. Está a 1.393m de altitude e proporciona uma visão de 360°.

VISITAÇÃO

O Parque Arqueológico funciona de terça-feira a domingo, das 09:00h às 16:00h.

As visitas são permitidas mediante o acompanhamento de guia credenciado pelo NPA. É cobrada uma pequena taxa para conservação e melhoramento da infraestrutura.

A época das chuvas deve ser evitada, uma vez que a estrada de acesso e as trilhas ficam muito escorregadias.

Antes de qualquer visita sugere-se fazer contato telefônico com os membros do NPA: José Antônio de Almeida (35-3325-1680) ou José Marcos (35-3325-1006 ou 1439). 


 

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