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Baependi - Notícias
13/11/2014 09h46

Personagens que fazem parte da nossa história - Marcos Pereira Gomes Nogueira – 1ª parte

Marcos Pereira Gomes Nogueira foi uma grande personalidade e deixou seu legado na cidade de Baependi.

 

Por Pe. Jean Poul

Marcos Pereira Gomes Nogueira nasceu em Baependi, no dia 18 de junho de 1847, numa chácara de propriedade de seu tio Manuel Constantino Pereira Guimarães, no Lava-pés, então uma das extremidades da Vila. Era filho de João Constantino Pereira Guimarães, imigrante português da região do Minho e de Ana Engrácia Nogueira Meirelles, que era filha de um bisneto do Capitão-Mor Tomé Rodrigues Nogueira do Ó, considerado o fundador de Baependi, por ser um dos primeiros moradores desta localidade.

Foi o Capitão-mor Tomé Rodrigues Nogueira do Ó quem edificou no Engenho, junto à casa, a primeira capela de Nossa Senhora de Montserrat, uma construção rústica, feita de taipas e paliça, onde se encontrava a imagem de devoção da família. Mais tarde, uma de suas filhas, Maria Nogueira do Prado, com seu marido João Gomes Lemos fizeram doação do terreno à freguesia de Santa Maria de Baependi, onde seria edificada a Matriz, tendo como condição para a doação a permanência do orago de Nossa Senhora do Montserrat e a construção da Igreja voltada para o lugar conhecido como Engenho.

Foi na infância que o menino Marcos, com seus 8 e 9 anos, viu a criação da comarca de Baependi, em 1855 e a emancipação político-administrativa da Vila de Santa Maria de Baependi, em 02 de maio de 1856, passando à categoria de cidade, com o nome de Baependi.
Em 1862 – portanto há 150 anos! – o jovem seminarista fora testemunha de um grande feito: o douramento do altar-mor da Igreja Matriz de Baependi por generoso donativo de Nhá Chica, quando recebeu a herança de seu único irmão, Theotônio Pereira do Amaral, falecido em 1861. O altar-mor fora construído quando era vigário o Pe. Domingos Rodrigues Afonso, por volta de 1795, quando se fizeram muitos melhoramentos na Matriz – os primeiros de que se tem notícia no Livro do Tombo paroquial. Dois artistas, daqueles longínquos tempos, deixaram, na Matriz, admiráveis traços de seus talentos: Natividade, encanador, dourador e pintor, de São João del’Rei e Macedo, entalhador, de Suassuí.

O jovem Marcos recebeu do seu vigário Joaquim Gomes Carmo toda a formação, inclusive teológica e, sem nunca ter vivido no seminário, recebeu a tonsura e as ordens menores em 25 de outubro de 1865, durante uma visita pastoral do Servo de Deus D. Antônio Ferreira Viçoso, bispo de Mariana, à Paróquia de Santa Maria de Baependi. Neste tempo, começa Nhá Chica a construção da Capela dedicada à sua Sinhá, a Senhora da Conceição.

Ainda nesta década, o seminarista Marcos Pereira Gomes Nogueira acolitou a cerimônia de lançamento da pedra fundamental da Igreja de Santa Isabel, em Caxambu, até então pertencente à Cidade e Paróquia de Baependi, com a presença de Sua Alteza Real, a Serva de Deus e jovem Princesa Isabel, benemérita doadora daquele templo em agradecimento pela graça da concepção de um príncipe herdeiro.

Em 1870, o Pe. Marcos Pereira Gomes Nogueira começou a paroquiar os seus conterrâneos, o que fará valorosamente por quase meio século.
Logo nos inícios do seu paroquiato, Pe. Marcos, motivado pelo magnífico e recém-dourado altar-mor e pela presença de tão elegantes confessionários esculpidos por ordem do Côn. Custódio de Oliveira Monte Raso (pároco de 1847 a 1851) que também transformou a primitiva sacristia, do lado esquerdo do altar-mor, em capela do Santíssimo Sacramento, dotando-a com assoalho, forro e altar, começa no dia 17 de julho de 1872 – portanto há 140 anos! – uma grande obra de restauro da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Montserrat, que culminaria com a obra de sua vida e expressão do seu gênio artístico: a criação e execução da talha do transepto (cúpula) da nave central da Igreja.

Continua no próximo Caderno de Baependi

 

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