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Bom Jardim de Minas - Notícias
01/10/2015 09h59

Personagens que fazem parte da nossa história - José Messias

José Messias deixou seu legado em Bom Jardim de Minas.

José Messias nasceu em 7 de outubro de 1928, no Município de Bom Jardim de Minas (MG). Nascido de família pobre, mas extremamente musical (o pai, e o avô eram regentes de banda, o tio era trombonista), ainda jovem começou a compor músicas para blocos de carnaval. Essa verve artística e musical iria acompanhá-lo por toda a sua vida nas múltiplas facetas de expressão.

Mudou-se, mais tarde, para Barra Mansa, levado por um parente de nome José Gentil, nascido também em Bom Jardim de Minas, já falecido, que ainda possui filhos na cidade de Barra Mansa, que foi quem o levou para a Capital (Rio de Janeiro) este parente foi quem o ensinou a ler e escrever, pois como é sabido, José Messias não tinha estudo quando morava em Bom Jardim de Minas. Este seu parente era autodidata, falando fluentemente Latim, Inglês e Esperanto e ainda grande conhecedor da gramática da Língua Portuguesa, e ali aprendeu os ofícios do circo em pequenas companhias locais, havendo atuado, inclusive como palhaço de circo.

Em 1945 seguiu para o Rio de Janeiro — onde viveria por várias décadas — e participou de vários programas de rádio (entre os quais, “Papel Carbono”, de Renato Murce). Estudou no Liceu de Artes e Ofícios. Trabalhou, também, durante algum tempo, no comércio, até que foi apresentado ao compositor Herivelto Martins, de quem veio a ser então secretário.

Com esse trabalho e com o relacionamento no meio artístico de então, oportunidades começaram a surgir, e José Messias chegou a substituir Grande Otelo em vários espetáculos. Continuava a compor músicas de Carnaval e, em 1952, conseguiu que fosse gravada a “Marcha do Coça Roça”, sua primeira composição, que veio a ser interpretada por Heleninha Costa. Seguiram-se, depois, várias outras interpretações de composições suas, por artistas famosos da época de ouro do rádio brasileiro: Emilinha Borba, Francisco Carlos, Marlene, e Quatro Ases e Um Coringa. Por essa época, escreveu para jornais e revistas.

Em 1954, o então Ministro do Trabalho João Goulart nomeou-o para o Serviço de Recreação Operário,, porém à disposição da Rádio Mauá, o que lhe permitiu continuar a desenvolver seus atributos musicais.

Em 1955, estreou como apresentador de auditório na Rádio Mayrink Veiga. Por dez anos, ele acumulou o exercício da função pública com as atividades privadas de direção e de apresentação de programas em várias radioemissoras daquela época no Rio de Janeiro (rádios Mundial, Carioca, Metropolitana, Tupi, Guanabara e Nacional). Identificado com a juventude da época, José Messias renovou o cenário musical de então: criou, em conjunto com Carlos Imperial e Jair de Taumaturgo, o marcante movimento de renovação e vanguarda musical que veio a ser a Jovem Guarda. Vanguardista em cultura musical, ele efetivamente lançou ao estrelato muitos cantores, por meio do seu programa “Favoritos da Nova Geração”. Figuram entre os mais conhecidos e famosos os artistas Clara Nunes, Jerry Adriani, Roberto Carlos e Wanderley Cardoso, dentre muitos outros. Ainda em 1955, compôs o samba “A mão que afaga”, com Raul Sampaio, gravado na Continental, pelos Vocalistas Tropicais. Em 1956, estreou em discos pela pernambucana Gravadora Mocambo, registrando, de sua autoria e Carlos Brandão, a batucada “Macumbô” e o samba “Deus e a natureza”. Em 1957, gravou na Copacabana os sambas “Ai, ai, meu Deus”, de Amorim Roxo e Nelinho e “Vou beber”, de sua autoria com Carlos Brandão. Em 1959, gravou pela Continental o mambo “Você aí”, de sua autoria, e o samba “Fim de safra”, de Luiz de França e Zé Tinoco. Nesse ano, seu samba “O sono de Dolores”, em homenagem a Dolores Duran, que acabara de falecer, foi gravado por Ângela Maria e Mara Silva na Rádio Copacabana.

Em 1960, gravou na Polydor a “Marcha da condução”, de sua autoria e “Garoto solitário”, de Adelino Moreira, sucesso no carnaval do ano seguinte. Nesse ano, Carlos Augusto gravou seu bolero “Chega”. Em 1961, gravou na Philips, de sua autoria, o rock “Rock do Cauby”, e, de Edgardo Luiz e Geraldo Martins, o samba “Amor de verão”. Em 1962, obteve destaque com a “Marcha do Carequinha”. Gravou na Rádio Mocambo o chachachá “Garrincha-cha”, de Rutinaldo, homenagem ao jogador de futebol Garrincha, do Botafogo do Rio de Janeiro. Nesse ano, seu bolero “Pecador”, foi gravado por Silvinho. No começo dessa década, foi um dos radialistas que mais apoiou o movimento ligado ao rock, prestigiando os artistas ligados à Jovem Guarda. Em 1963, gravou na RGE o “Twist do pau de arara”, de Raul Sampaio e Francisco Anísio e o “Cha cha cha do Carequinha”, de sua autoria. Ainda gravou na Odeon as marchas “Deus tem mais pra dar”, de Valfrido Silva, Gadé e Humberto de Carvalho e “Marcha do pica-pau”, de Valfrido Silva e Humberto de Carvalho. Também no mesmo ano, teve a música “Aconteça o que acontecer” gravada pelo Trio Esperança. Em 1969, gravou a música “Terreiro de outro rei”, de sua autoria no LP “O fino da roça”, de Jackson do Pandeiro. Atuou também nas TVs Tupi, Continental, Rio e Excelsior. Na TV Tupi, participou dos programas Flávio Cavalcanti e “A Grande Chance”. No SBT, de São Paulo, participou, desde o ano 2000, do Programa Raul Gil, bem como teve atuação muito permanente nas mais diversas emissoras da radiofonia carioca, especialmente a Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

Morreu no dia 12 de junho de 2015, aos 86 anos, devido a uma assepsia abdonominal. Estava internado há cerca de dez dias no Hospital Italiano, no Grajaú, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Seu corpo foi sepultado no Cemitério de Saquarema, no Rio de Janeiro.

 

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