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10/06/2024 14h47

Governo de Minas qualifica times de futebol no combate à violência contra mulher

Seja em campo, seja nas arquibancadas, o ambiente do futebol pode ser hostil às mulheres, sujeitas a diferentes formas de violência. Para dar um basta a esta normalização histórica de crimes contra a mulher, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese-MG), está levando o Protocolo Fale Agora para estádios e clubes mineiros.

O Fale Agora é uma das políticas do Estado de enfrentamento à violência contra a mulher em espaços de lazer e turismo em Minas. O programa capacita, treina e educa cidadãos e estabelecimentos para que possam prevenir a violência sexual e acolher as vítimas, fazendo o encaminhamento correto para a rede pública de atendimento.

Ao longo do mês de maio, a Sedese-MG promoveu capacitações com funcionários da Arena MRV, com a equipe feminina do Atlético-MG e com a base masculina do América-MG. De acordo com Maíra Fernandes, superintendente de Articulação de Políticas dos Direitos das Mulheres da Sedese-MG, o trabalho resume os três eixos de capacitação do Fale Agora.

“O primeiro deles é trabalhar com a base masculina dos clubes, levando os atletas a refletir sobre comportamentos violentos e promovendo uma masculinidade mais saudável. O segundo, com as atletas femininas, discute o machismo no futebol, para que elas se tornem multiplicadoras do protocolo. E o último eixo é a capacitação com funcionários e colaboradores dos estádios”, explica.

Arena moderna e preparada

A Arena MRV é estádio o mais novo de Minas Gerais e, além de moderno em termos estruturais e tecnológicos, a casa dos atleticanos recebeu um espaço dedicado ao Protocolo Fale Agora.

Torcedoras vítimas de qualquer tipo de violência serão amparadas por uma equipe treinada e encontrarão abrigo em uma sala reservada para estes casos, onde serão acolhidas e encaminhadas para atendimento médico e/ou registro de ocorrência.

“A parceria com a Arena é muito importante, já que todo este trabalho vai ajudar a prevenir a violência sexual e, caso ocorra algo neste sentido, os profissionais que aqui trabalham vão estar capacitados para acolher esta mulher”, explica Soraya Romina, subsecretária de Política dos Direitos das Mulheres da Sedese-MG.

Uma das funcionárias do estádio a passar pela capacitação foi Camila Sales. Depois do treinamento, ela disse estar mais segura para lidar com eventuais casos de violência. “Aprendemos bastante sobre como tratar esses casos, e temos um direcionamento e um local para levar essas mulheres.

amos levar o que aprendemos para nossa vida pessoal”, afirma.

Atletas e cidadãos

Durante o treinamento para o Protocolo Fale Agora, a Sedese-MG também promove um momento de letramento para as equipes. “A gente ouve as histórias, e vemos que não acontece só com a gente. Acontece com todas as meninas e com todas as mulheres”.

O relato é de Thuany Siridakis, apaixonada por futebol. Com 24 anos de idade, ela é meio-campista das Vingadoras, time feminino profissional do Atlético-MG.

O desabafo da jogadora sobre as histórias de violência sofridas por colegas transformou esse momento de conversa em uma oportunidade de aprendizado sobre como evitar novos casos do tipo.

“Essa conversa deve ser colocada em prática em todos os esportes. Nem sempre sabemos a quem recorrer, e essa reunião nos deu um norte sobre o que fazer quando presenciamos ou sofremos violências”, explica Thuany.

A mesma dinâmica foi promovida com a equipe masculina da base do América-MG. O Coelhão, mascote do time, levou os atletas para uma conversa intimista, na qual os jogadores compartilharam experiências e refletiram sobre como a atitude de homens pode contribuir para a violência contra mulheres.

A ação contou com o apoio do Instituto Casa da Palavra, que promove diálogos entre homens sobre o exercício de suas masculinidades e as consequências no laço social.

“A construção de atletas mais respeitosos serve para engrandecer o clube e dar mais confiança à sua torcida, às funcionárias e às jogadoras”, garante o diretor do instituto, Yan Ballesteros.

Rafael Raul Barcelos, capitão da equipe, conta que o letramento “ajudou a ter um relacionamento melhor entre os colegas, os ensinamentos foram importantes e nos mostraram como agir e, com certeza, isso vai nos fortalecer como pessoas e como time”.

Próximas rodadas

O Protocolo Fale agora foi lançado em 2023. A parceria com bares e restaurantes levou a capacitação para os donos e funcionários dos estabelecimentos, se estendeu para blocos do Carnaval da Liberdade de 2024 e, agora, está em curso junto aos clubes mineiros.

A intenção é continuar o trabalho nas próximas semanas, alcançando novos atletas, estádios e times de Minas Gerais. Além disso, o Protocolo Fale Agora está disponível para os clubes e associações que se interessarem.

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