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Opinião
30/01/2014 16h40

Efeito colateral

Bebeto Andrade

por Bebeto Andrade,

de Cruzília/MG

Enquanto escrevo isto, a história ainda está meio confusa, mas alguém devolveu mais de 13 mil reais que havia roubado do Hospital de Baependi. Segundo o jornal Correio do Papagaio, o dinheiro desapareceu do cofre da administração, em circunstâncias misteriosas, e dois dias depois a polícia foi alertada por um telefonema anônimo. Acharam a bufunfa entre os cilindros de oxigênio, do lado de fora do prédio. Ao contrário do que se pode imaginar, não houve nenhuma ação espetacular, de bandidos armados ou perseguição policial pelas ruas da cidade. Na verdade, não houve sequer um assalto, mas um simples furto, que ocorre quando o crime é praticado sem nenhuma violência ou ameaça à vítima (corrijam-me, se estiver errado). O dinheiro sumiu, claro, mas a administração do hospital não sabia informar como. Já faz bem tempo, notícias de roubos são tão comuns que não escandalizam mais ninguém, e pra isso contribuem alguns programas de TV. Basta ligar o aparelho, a qualquer hora do dia, e lá estão as imagens de assaltantes presos, vítimas desamparadas e policiais meio atônitos. A violência, que rende tantos votos, entra nas casas em papel de embrulho para consumo das pessoas honestas. O resultado? Passamos a achar que toda ação criminosa é um espetáculo, com direito a vaias e aplausos, e não a ponta desencapada do fio da miséria humana. No caso de Baependi, quase tudo contribuiu para descaracterizar a ideia que fazemos de um crime: não houve violência, o dinheiro voltou para o seu legítimo dono e ninguém foi preso. Por que, então, a notícia foi tão comentada na região? Entre outros motivos, porque é difícil relacionar a agressividade de um roubo, que pressupõe a intenção de prejudicar alguém, a um hospital, símbolo da ajuda que se deve prestar a todos em horas difíceis. Não sei quais serão os efeitos colaterais do caso. Segundo o dito popular, tudo está bem quando termina bem. Agora, só nos resta torcer para que, num país onde a saúde pública anda doente, enfrenta filas e mal consegue uma consulta médica, o dinheiro devolvido possa contribuir para aliviar o sofrimento de quem realmente tem necessidade. Com a bênção da já quase santa Nhá Chica.

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