Por José Luiz Ayres
Após a inspeção rotineira efetuada ao expresso noturno campista, Evandro, chefe do trem, chega ao seu compartimento a proceder às anotações de praxe ao livro de bordo e logo ao sentar-se ao executar a tarefa, batem à porta. A responder que entrassem, era um dos agentes, que um tanto acanhado, mostrando-se apreensivo, fala que à varanda do último carro ao vistoriar o carbureto da lanterna externa (Luz Vermelha), deparou com um casal que abraçadinho curtia “in Love” à penumbra do local, cujas perspectivas evidenciavam algo muito além daqueles amassos românticos. Assustando-se com a sua chegada, o casal a se desculpar pelo momento inconsequente, após solicitar que retornassem aos seus lugares no vagão, pois ali é proibido com o trem em movimento pelo risco de queda fora do vagão, e voltassem aos seus assentos com a promessa de não mais ali voltar. Por isso que viu à obrigação em cientificar o ocorrido.
Evandro agradeceu pela sua dedicação às normas no cumprimento do dever, com agente conseguido ter feito a coisa certa e se retirou. Porém, esperto e vivido como ferroviário e chefe de trens de muitos anos de Leopoldina Railway, pelo que narrou seu agente, sem que se julgasse um adivinho, atribuiu que aquele casal daria um tempo e voltaria à varanda, já que foi interrompido nas suas “preliminares” quando a adrenalina começava a atingir aos pícarose o clímax efervescente do amor fazia-se presente a extrapolar à razão, a desligar-se de tudo a volta, inclusive pelo local, a ignorar às conseqüências que o instante erótico leva o ser humano a praticar loucuras, aonde o medo até serve como estímulo ao prazer compulsivo e incontestável.
Com quase 45 minutos passados, deixou seu reservado indo em direção ao último vagão, a levar consigo o agente a verificar se suas intuições seriam verdadeiras. Ao penetrar ao carro, com ajuda do agente a observar se o tal casal se encontrava, obtém a informação que não estava. Seguindo ao fundo do vagão, abre a porta à varanda e não se surpreende ao ver deitado ao chão em total liberdade de ação, o casal em movimentos constantes coordenados, que ampliado pelo balanço do trem se entregava aos encantos de Eros e Afrodite. Todavia após o pigarrear de Evandro, o cidadão ao elevar a cabeça se apavora a se desenroscar da mulher e tenta se compor a pegar sua calça que deixara juntamente com o vestido da parceira ao balaústre da varanda. Mas entra em pânico ao dar pela falta e em desespero, pede perdão por abusar e transgredir às normas sob olhar assustado da mulher que tentava encobrir sua explicita nudez, a dizer que bem que não queria aceitar fazer isso nesse lugar.
Evandro a ouvir aquelas lamentações confusas e descabidas, afinal o momento amoroso foi interrompido quando o auge do ato estava em total êxtase a ser concluído, fala: - E agora como ficamos, já que suas roupas foram levadas pelo vento? Por acaso tem como se compor em suas bagagens a fim de retornar ao interior do vagão?
O cidadão totalmente desarticulado a demonstrar vergonha, num lacônico não o responde. Por outro lado a mulher um tanto aliviada mesmo avexada, diz possuir na sua mala algumas roupas. Evandro então pede ao agente para apanhá-la após a identificação do local; O que ocorreu, a entregá-la a parceira que retirou um vestido passando a vesti-lo.
Com parte do imbróglio solucionado, o que fazer com o cidadão se não havia roupas a compô-lo?
Evandro como única alternativa, propõe que ficasse confinado ao toalete (W.C) enquanto tentava buscar solução. Com certo cuidado o levaram ao reservado com a mulher agora composta seguindo ao seu lugar.
Assim que saíram do vagão, já à varanda do outro carro, o agente mostrando-se confuso, indaga de Evandro em como solucionaria o caso?
A sorrir matreiramente, esclarece ao aparvalhado funcionário, que havia em seus guardados uma velha capa de chuva fora de uso, que seria a solução. Porém, o cidadão como “castigo” permanecerá por bom tempo confinado ao W.C, até arrefecer sua incontrolável virilidade, cujas consequências o fará com que pense e volte a razão e se conscientize que amar é bem saudável e delicioso, mas em locais apropriados para que possam desfrutar e nos deliciar nos desejos, prazeres e nossas intimidades e, não à varanda de vagão a correr riscos a arriscar a própria vida. Felizmente o que caiu do trem foram as roupas do casal!
Seguindo ao seu compartimento, aliviado e a deixar estampado um sorriso, lá foi Evandro a imaginar o que aquele homemestará a pensar depois de ser interrompido no seu colóquio e agora solitário e nu confinado ao W.C do trem na 2º classe!?!
Ah........quando a razão é subjugada a impulsos ditos incontroláveis, sempre dará no que deu!