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05/01/2018 10h53

Agenor Gomes Pinto Sobrinho

Nossa gente, nosso orgulho

Por Teresinha Maria Silveira Villela

 

Agenor Gomes Pinto Sobrinho nasceu a 09 de setembro de 1919 em Itanhandu. Era o terceiro filho do Dr. Olavo Gomes Pinto, médico natural de Virgínia, radicado em Itanhandu e de Vicentina Umbelina Pinto.

Em Itanhandu também nasceram seus irmãos: Crispim, Águeda, Maria Isabel, Afrânio, Maria José, Olavo e Fabiano. Mais tarde Dr. Olavo transferiu sua residência e consultório para São Lourenço.

Agenor assim que terminou os estudos, em Itanhandu, ingressou na Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, onde concluiu o curso com brilhantismo. Logo em seguida, veio para São Lourenço onde tornou-se em pouco tempo um advogado de prestígio na cidade e vizinhanças.

Competente, idéias arrojadas para a época, era entretanto tímido até assumir o papel de relevância em júri. Era notável a transformação; o “gênio” aparecia e o advogado conquistava a platéia e os jurados. Sua vitória era certa. Sabia transmitir com sabedoria e firmeza as suas conclusões.

O júri terminava e o Dr. Agenor voltava a ser o homem simples, sem vaidade, cônscio do dever cumprido. Nada mais!

O grande jurista Dr. Agenor Gomes Pinto Sobrinho recebia cumprimentos, abraços e parabéns; o homem Agenor agradecia com o sorriso tímido de sempre e ia fumar um cigarrinho e depois, outro...

Foi durante 25 anos Presidente da AOB Regional.

Casou-se com Anita Silva Pinto e brindaram a cidade de São Lourenço com cinco filhos: José Olavo, Engenheiro Mecânico. Casou-se com Lídia Fernandes e têm três filhos.

Virgínia, Professora. Casada com Celso Antonio e tem duas filhas.

Afrânio Olavo, Ginecologista, radicado no Rio de Janeiro. Casado com Maria Adelaide e tem dois filhos.

Fernando Olavo, Comerciante. Casado com Eliana Pena Luz. Tem três filhos.

Olavo – “Charrico” – Dentista, casado com Dulce de Fátima. Tem dois filhos.

Diz o poeta: “ quem passou pela vida e não sofreu, foi espectro de homem, não foi homem, só passou pela vida, não viveu”.

Dr. Agenor foi vítima dos ideais da Revolução de 1964. Interrogado, não se intimidou e foi preso. Pouco tempo depois já estava em casa.

Foi fiel ao seu ideal e assim continuou a ser por toda sua vida. Não se intimidar, não quer dizer que tal fato não o tenha abalado. A mágoa do vivido em 1964, guardou no fundo do coração até 1971, quando faleceu.

Dr. Agenor tinha muitos amigos; soube dignificar a palavra amizade e “honrar” a profissão que abraçou. Era fã incondicional do Esporte Clube São Lourenço e tornou-se popular não deixando de assistir aos jogos.

Era um pai presente na vida dos filhos. Apoiava os novos advogados, aconselhava-os e era feliz ao constatar o sucesso dos amigos. Era franco, calmo, olhos que falavam e um sorriso inexplicável que sempre o acompanhava.

Dr. Agenor poderia ter sido um homem rico, mas não fez fortuna pois jamais se preocupou com dinheiro. Era solidário às causas dos menos favorecidos.

Fumava muito e numa roda de amigos fazia brincadeiras espirituosas e inteligentes. Gostava de escrever e, escrevia bem. Mantinha correspondência assídua com seu amigo Dr. José Franklin de Damasceno Dantas Motta.

Dr. Agenor não guardava rancor das injustiças que por acaso lhe atingisse, apenas perdoava.

A oito de agosto de 1971, a cidade perplexa recebeu a notícia de sua morte; em plena festa do padroeiro da cidade. Impossível acreditar que Dr. Agenor, aos 50 anos, tivesse partido. Era um domingo, dia dos pais.

Dr. Agenor saiu cedo. Certamente voltaria em breve, receberia o carinho dos filhos e até comprara um presente para Virgínia.

Dr. Zaidan Baracat, seu amigo e admirador, era também seu companheiro para assistir a queima dos fogos, últimos momentos da festa às 24 horas do dia dez. Naquele ano Dr. Agenor não compareceu.

Foram do Dr. Zaidan estas palavras, publicadas no São Lourenço Jornal. Com seu consentimento, agora transcrevo:

“Adeus na madrugada

... hora mais apropriada para sua retirada do palco da vida. Apoteose no céu e festa nas ruas de São Lourenço. Como ator que após um desempenho genial de seu papel na comédia ou tragédia da vida retira-se do palco sob os aplausos da platéia, ele afastou-se e eu o aplaudi sobre a apoteose policrômica dos fogos.

Sim, nenhum momento seria melhor para me despedir do amigo e inesquecível Dr. Agenor Gomes Pinto Sobrinho. Esse houver lágrimas nesta despedida, vieram do céu: festivas lágrimas de rubis e esmeraldas a caírem serenas sob a cidade de São Lourenço. Esta cidade que ele amou perdidamente. Depois a madrugada...”

E depois desta madrugada, Dr. Agenor Gomes Pinto Sobrinho foi inserido na galeria dos grandes vultos da história que São Lourenço vai escrevendo no dia a dia, no passar dos anos, pela vida afora.

Teresinha Maria Silveira Villela

Não guardava rancor, sabia perdoar; era um homem de paz. Soube honrar e dignificar suas tradições de filho ilustre, de ilustre família. Era venerado.

Assim o descreveu José Alberto Guimarães:

“Soube ser filho, soube ser pai, soube ser advogado, soube ser homem”.

Era presidente de 19º Sub da OAB.

Advogado de invulgar cultura, atitudes francas, caráter ilibado, honesto profissional, jamais deixou seus ideais, nem se acovardou diante de seus opositores.

Defensor dos pobres e oprimidos. Nasceu em Itanhandu em 09/09/1918. Filho de Dr. Olavo Gomes Pinto e Vicentina Umbelina Pinto. Casou –se com Anita Silva Gomes Pinto e deixou 5 filhos.

Amigo de Dantas Mota de Synésio com o qual conversava horas sobre os grandes problemas da sociedade. Mantinha correspondência com Dantas Mota. Tinha uma força de comunicação que mesmo antes de terminar a fala o outro já sentia e compreendia.

Gostava da vitória alheia. Foi o confidente de D. Mota.

Foi por 25 anos presidente de OAB. Nunca se auto-promoveu. Promovia os outros e os aplaudia. O colega mais novo que você plasmou.

Sua solidariedade chegava no momento certo. Seu desprendimento era franciscano. Não se preocupava com dinheiro. Era humilde. Sorriso tímido, culto. Fumava muito e fazia piadas engraçadas e inteligentes.

Adeus na Madrugada

Hora mais apropriada para sua retirada do palco da vida. Apoteose no céu e festas nas ruas de São Lourenço. Como ator que após um desempenho genial de seu papel na comédia ou na tragédia da vida se retira do palco sob os aplausos da platéia, ele afastou-se e eu o aplaudi, sob a apoteose a policrônica dos fogos.

Sim, nenhum momento seria melhor para me despedir do amigo e colega inesquecível Dr. Agenor Gomes Pinto Sobrinho. E se houve lágrimas nesta despedida foram as eu vinham do céu: festivas lágrimas de rubis e esmeraldas a caírem serenas, sobre a cidade de São Lourenço. Esta cidade que ele amou perdidamente...

Depois a madrugada.

Faleceu a 10/08/1971, no Sítio São Domingos, próximo a Cambuquira, às 14:30 hs.

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