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São Lourenço - Notícias
02/02/2017 11h13

Moradores de rua tem acompanhamento especializado na cidade

O projeto social já teve início e visa a humanização do tratamento das pessoas em situação de rua no município

Antigo Albergue São Francisco de Assis passa a oferecer Serviço Especializado/Fotos: Paulo Machado

Um dos fatores sociais alarmantes das cidades em desenvolvimento é a população de rua. Em São Lourenço esse cenário não é diferente, mas a partir de agora o município terá um tratamento especial para essas pessoas. O Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua foi criado e já está em funcionamento.

A Secretaria de Desenvolvimento Social está apostando em um novo modelo de assistência aos moradores de rua e pretende, com o novo projeto, desencadear o processo de saída das vias públicas e promover o retorno familiar e comunitário deles. No total, o município terá 4 pessoas trabalhando diretamente com o novo serviço. O programa funcionará no antigo Albergue São Francisco de Assis.

O departamento informa ainda que atuará para que as pessoas nessas condições tenham acesso à rede de serviços sócioassistenciais e as demais políticas públicas. Atualmente, pouco é feito para atender a essa demanda, segundo Elane Medeiros, Gerente de Políticas Sociais da prefeitura. “Hoje o único serviço ofertado contempla apenas o segmento migrante, com concessão de passagem para retorno do morador de rua a sua cidade de origem”, informa.

A proposta é contrária ao executado em outros municípios, que aplicam uma política higienista na qual o único objetivo é retirar da vista da sociedade as pessoas que utilizam os lugares públicos como espaço de moradia e sobrevivência. “O serviço que será ofertado a essas pessoas se baseia num espaço que contribua na construção ou reconstrução de novos projetos de vida, pautado no respeito à dignidade humana”, explica Elane Medeiros.

A Gerente de Políticas Sociais da administração informou ainda que será possível também que seja identificada, de forma preventiva, as demandas sociais que se apresentam tanto por consequência do desenvolvimento urbano quanto pelo crescimento populacional ou desemprego.

Atualmente o município não possui uma estimativa do número de moradores de rua na cidade, mas espera quantificar o segmento e planejar serviços mais abrangentes. Em breve a população também poderá ajudar no trabalho. A prefeitura pretende disponibilizar um número de telefone para abordagem social.

Dormitório para pessoas em situação de rua

Sala de Estar

Esmola não ajuda

Ao contrário do conceito de ajuda, a esmola contribui para o próprio aumento da população de rua. A atitude não agrega em nada, conforme reforça Elane Medeiros, Gerente de Políticas Sociais. “A esmola funciona como um ganho fácil para a sobrevivência desse público. O correto é evitar essa prática, pois um número considerável da população em situação de rua é originário do próprio município ou lacais próximos”.

A população tem notado o aumento do número de pedintes na feira livre de domingo que acontece na Ilha Antônio Dutra. O administrador e professor, Celso Falcini, tem notado a presença desse público na feira. Para Celso, a administração poderia criar políticas que integrassem duas diferentes pastas em um mesmo trabalho. “Poderia ser feito um trabalho integrado entre as Secretarias da Saúde e Assistência Social, promovendo ações para recuperar essas pessoas e promover o resgate da autoestima e cidadania”, sugere.
 
A solução

O morador de rua é visto como uma pessoa inferior à sociedade. Na maioria das vezes, eles não são percebidos e, quase sempre, não recebem um reconhecimento como pessoas e cidadãos. Uma das soluções para a questão social é fazer com que eles sejam tratados como pessoas com diretos.

Na opinião da Especialista em Gestão da Política de Assistência Social, Mayra Camilo, a questão tem sim uma solução. “É importante que o processo de saída das ruas seja pensado em conjunto: equipe técnica, usuários da rede socioassistencial e parceiros, considerando a particularidade de cada usuário, a vontade e o nível de autonomia e a dinâmica social das ruas”, salienta a especialista.

Embora existam mecanismos e estratégias para a retirada dessas pessoas da rua, essa situação ainda é encarada como um desafio. “Eles são um desafio para as políticas públicas. Acredito que as ações devem ser feitas ‘com’ os moradores de rua e não apenas ‘para eles’. É importante, diante das diretrizes e legislações, dialogar com os moradores, entendendo suas necessidades”, finaliza Mayra Camilo.

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